26 de março de 2017   
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Havendo repudiado com seu cortejo de desastres o individualismo e o liberalismo do século passado, não nos expusemos a pôr nas mãos do Estado a competência omnímoda de reger por seus próprios meios e serventuários a economia da Nação; e, tendo-nos revoltado contra uma falsa burguesia parasitária e gozadora, não queremos caminhar para a crescente e geral proletarização, pois não nos causaria inveja a nação em que só o Estado fosse rico.
Não podem fechar-se os olhos a que nalguns casos recentes o potencial financeiro e económico colocado nas mãos do Estado em virtude de regimes autárquicos, fortemente autoritários e disciplinados, assume proporções que mal se imaginariam e por ora sem repercussão inconveniente no progresso da própria criação industrial. Os Estados não só ficam dispondo de somas enormes para realizações colectivas, mas dirigem superiormente a economia como fonte da riqueza da Nação e instrumento de política externa. O que se não sabe ainda é se a máquina continuará funcionando com pleno rendimento sem os génios que ocasionalmente a dirijam; e em qualquer caso é bem de recear a sucessiva extensão da disciplina económica até abranger nas suas estreitas malhas as manifestações espirituais, a família, o mundo das ideias e dos afectos. E teríamos chegado por este caminho à mesma escravidão de que andámos fugindo. Embora sem fechar os olhos aos ensinamentos que outras formas de organização e outras soluções tragam à resolução dos nossos próprios problemas, continuamos a considerar como saudável ao corpo social larga margem concedida à iniciativa privada e até à concorrência, desde que o Estado se mantenha como árbitro supremo entre os interesses em jogo.
Demasiado longe (segundo o meu modo de ver e as minhas predilecções pessoais) nos obrigará a ir nesta matéria a insuficiência técnica ou financeira dos particulares. Mas, resolvidos a ir até onde seja absolutamente necessário, não deveremos ir mais além.


Liberalismo e Dirigismo (08)

(«Realizações de política interna — Problemas de política externa» — Discurso na Assembleia Nacional, em 28 de Abril — «Discursos», Vol. III, págs. 67-69) – 1938

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
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