24 de agosto de 2017   


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É com a ida para o Forte de Elvas dos chefes vencidos do 18 de Abril que começa verdadeiramente, pode dizer-se, a preparação da Revolução Nacional de 28 de Maio.
Logo à chegada à estação do caminho-de-ferro daquela cidade fronteiriça os oficiais derrotados foram recebidos pelo tenente-coronel Aníbal Passos e Sousa que se tornaria, depois, pela força dos acontecimentos, amável carcereiro dos seus camaradas. Não fora, porém, nessa qualidade que ele os fora aguardar. Tendo visto, como militar e patriota, com a maior mágoa a derrota do 18 de Abril, o tenente-coronel Passos e Sousa, que já então sentia que só a Revolução do Exército poderia salvar o País da ruína, fora esperar os seus camaradas dos quais conhecera em França, durante a primeira grande guerra, Sinel de Cordes e Raul Esteves, para se pôr à sua disposição, visto poderem eles precisar da sua assistência.
Pouco tempo passado aquele oficial era nomeado Governador do Forte da Graça. E começa, aqui, conforme o dizer do vencedor de 7 de Fevereiro «a lançar-se as bases dum movimento militar de larga envergadura, no qual seriam interessadas todas as guarnições do País que num dado momento se revoltariam e marchariam sobre Lisboa — único sítio onde era prevista alguma resistência — a fim de se impor a destituição do Presidente da República e do Ministério.
O «18 de Abril» fora feito, mercê resolução dos seus chefes sem qualquer ligação com a Província. Daí, de certo, uma das causas do seu fracasso. Por isso mesmo tinham escapado à acção repressiva do Governo, entre os vários regimentos aquartelados na Província, os grupos de Sapadores de Caminho de Ferro — a unidade que maior papel tomara na revolução — instalados em Setúbal, Entroncamento e Santo Tirso.
Ante a derrota dos revolucionários, os oficiais destes três destacamentos resolveram solidarizar-se com os seus camaradas presos. E por iniciativa do tenente Mário de Travassos Arnedo, então do grupo de Setúbal, decidiram ir a Elvas comunicar a sua resolução aos chefes presos no Forte da Graça.
Ao ouvi-los, Sinel de Cordes, Raul Esteves e Filomeno da Câmara logo declararam a sua discordância com o gesto magnífico e lealíssimo dos bravos militares, ponderando-lhes quanto era improdutiva semelhante atitude, ainda que admirável na sua intenção.
O que antes se tornava necessário era se começasse a organizar o novo Movimento Militar, pelo qual se implantasse a Situação que fora impossível fazer vingar em 18 de Abril.
Entretanto a conspiração dos radicais e sidonistas que a derrota de Abril não fizera esmorecer, continuava a progredir, e era valorizada com a adesão do comandante Mendes Cabeçadas, antigo combatente do 5 de Outubro que vira com a maior simpatia a atitude dos oficiais que se haviam revoltado.
Um dia o general Silveira, antigo ministro da Guerra de vários governos partidários, que fora convidado por um grupo de conspiradores para chefiar o Movimento, vendo as disposições daquele oficial da Armada confessou-lhe estar quase disposto a «embarcar» conforme a sua típica expressão. Mendes Cabeçadas animou-o a que se decidisse. Os dois oficiais conversaram mais em pormenor, ficando entre ambos resolvido que Cabeçadas partisse para o Norte, para em nome do general sondar várias individualidades, sobre a atitude que tomariam ante um pronunciamento militar chefiado por este. O antigo combatente do 5 de Outubro foi, e avistou-se com o general Sousa Dias, comandante da Divisão, com o tenente-coronel José de Mascarenhas, chefe do Estado-Maior da mesma, que seria o ministro da Guerra do Governo democrático vencido pelo 28 de Maio e coronel Pais de Figueiredo.
Os três lhe responderam com a sua adesão. Do Porto o comandante Cabeçadas veio a Coimbra onde conseguiu igual compromisso do general Simas Machado que viria a ser o presidente do júri que julgou os homens do 18 de Abril. Simas Machado que mais tarde negaria a sua adesão ao tenente-coronel Passos e Sousa, desta vez comprometera-se até a conseguir a adesão de Braga e de Viseu, que de facto conseguiu.
Tempo passado, o general Silveira, porque não encontrara ambiente, nas forças já aliciadas, para fazer vingar o seu ponto de vista: a constituição dum Governo composto de representantes de todos os partidos políticos, abandonou os trabalhos conspiratórios.
Paralelamente a esta conspiração continuava a dos oficiais superiores que tinha como fulcro a casa do coronel Alfredo de Albuquerque, um dos vencidos de 5 de Outubro e ao tempo dirigente da Causa Monárquica, onde se juntavam o general Garcia Rosado, general Roberto Baptista, coronel Amilcar Motar e outros que já ali se haviam reunido com Sinel de Cordes, Raul Esteves e Filomeno da Câmara, durante a preparação do 18 de Abril.
Ao mesmo tempo não podia ter-se como parada a conspiração dos monárquicos que tinha seu quartel general em casa de D. Rui da Câmara e de que foram sempre activos elementos vários antigos oficiais demitidos e entre estes o Conde de Vale de Reis, José Pedro Folque, Francisco Xaxier Quintela, capitão Gonçalves Cal, etc....
Foi no meio de toda esta confusão — conspirava-se sem que houvesse ligação entre os vários elementos que constituíam a conspiração como muito bem frizou o dr. Manuel Múrias — que surgiu o plano do Forte da Graça.
A Revolução de 18 de Abril fizera-se, como já foi dito, e esse fora talvez o seu maior erro, sem qualquer colaboração da Província. Entendera-se que para a parada de forças que se queria fosse o Movimento. Lisboa chegava e de sobra. Por isso mesmo na hora da derrota, repetimos, escaparam às suas naturais consequências muitas unidades que estavam de alma e coração com os bravos militares que se haviam revoltado.
Encontravam-se neste caso, como atrás dizemos, os oficiais dos grupos de Sapadores de Caminho de Ferro, então aquartelados cm Setúbal, Santo Tirso e Entroncamento, que logo com os vencidos quiseram solidarizar-se.
Negada que lhes foi autorização para tal, logo começou uma nova conspiração que veio acrescentar-se às várias que, sem directriz certa, nem orientação de considerar, por vários sectores se arrastavam e vegetavam quase inutilmente.
Foi ao serviço da nova conspiração que imediatamente o tenente Travassos Arnedo meteu ombros aos trabalhos preparatórios da Revolução. Por toda a parte o intrépido e moço oficial começou a sentir o maior espírito de compreensão e até adesão, ao qual apenas uma restrição era posta: todos se dispunham a secundar a Revolução desde que houvesse quem a iniciasse.

(Continua)

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