29 de julho de 2017   


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(Continuação)

então ainda podia ser imaginada, inventada por moda literária. .); mas sós de uma solidão física material, a solidão à mesa do jantar, a casa deserta no regresso da escola, as manhãs apressadas de saída para o Liceu com o pequeno-almoço servido fora de horas pela criada. As mães têm de estar atentas. É muitas vezes a solicitação do exterior, da profissão, da vida social, do hábito hoje arraigado de acompanhar o marido para toda a parte — o que as leva a abandonar um pouco os filhos. Sentem-se para isso autorizadas, impelidas até, por aquele ar de auto-suficiência e desenvoltura que a mocidade gosta cada vez mais de arvorar, e que engana e às vezes indispõe os mais velhos. Que as mães não se iludam: sob as suas camisolas desportivas, as suas barbas à existencialista ou os seus cabelos à Brigitte Bardot, sob a camada de falso cinismo, de cepticismo ou de pedanteria intelectual, a mocidade tem ainda o mesmo desejo de amor e de entrega — só mais oculto, mais recalcado, nuns casos por amargura e solidão, noutros por moda e por snobismo. A moda e o snobismo não devem assustar um coração materno, capaz de ver muito para além do que os outros vêem. O que é preciso, sim, é que a solidão e o desencanto não cheguem a tocar profundamente a alma dos jovens. Porque depois pode ser tarde de mais para os salvar, e tudo pode acontecer.
Família sólida e bem constituída, onde os egoísmos e os caprichos se submetem ao imperativo de viver santamente; presença efectiva e actuante da mãe no lar; cuidado de ministrar desde cedo uma educação cristã esclarecedora e fortificante; atenção cuidadosa à formação integral da personalidade, com exploração e aproveitamento de todas as tendências boas, de todos os interesses e curiosidades da alma que desabrocha. Estes parecem-me ser os pontos capitais no combate à tão falada e apregoada crise de juventude.
Os filhos do divórcio, das situações irregulares, dos casais que «lá se vão aguentando»; os filhos que as mães, embora bem intencionadas, deixam sós e entregues a si próprios, por falta de método na divisão do tempo, por irreflexão ou por comodismo; os filhos que, apesar de serem baptizados e muitas vezes frequentadores dos sacramentos, não recebem uma educação verdadeiramente cristã, porque não são habituados ao respeito pela casa, pelos pais, por si próprios e pelos outros, antes são criados no culto exclusivo dos próprios apetites e caprichos; finalmente, os filhos que, mesmo bem educados moralmente, e no seio de uma família séria e cristã, não recebem por parte dos pais o estímulo inteligente ao esforço criador, à obra pessoal, ao trabalho grande ou pequeno das suas mãos — aí estão os candidatos a «teddy-boys>, como agora se diz. Aí estão de qualquer modo, os representantes de uma geração perdida e desorientada.
No primeiro caso nem vale a pena insistir, tão flagrantes e tão falados são os prejuízos morais sofridos pelos filhos sem verdadeiro lar. São os heróis dos romances da Sagan, sem senso moral, sem crença nos outros e em si, fiéis apenas a um ideal de autenticidade cínica que na prática se traduz pela satisfação imediata dos sentidos.
Os filhos que, embora em lares bem constituídos, as mães deixam sós, não darão tão directamente os revoltados e os amorais; mas dão ou os tímidos, os tristes, os fechados, ou os desorientados, os incompreendidos, em qualquer caso presas fáceis do primeiro contacto com o mal, sujeitos por isso, mais tarde ou mais cedo, a caírem na situação extrema que antes apontámos.
Da falta de uma educação cristã verdadeira, que torne as almas aptas ao sacrifício, ao esquecimento de si, ao amor da pureza, à pobreza evangélica — falta que é perfeitamente compatível com o rótulo de católico e que se encontra com certa frequência nas classes economicamente mais dotadas — da falta dessa educação cristã são consequência esses jovens desregrados na busca do prazer — não pervertidos, muitas vezes, nem amorais, mas incapazes de se dominarem, habituados como foram a não respeitar coisa nenhuma — nem a casa de família, que hoje os pais criminosamente lhes cedem para as suas pequenas orgias estúpidas, deixando-os profanar com excessos condenáveis de abandono ao instinto o lar que deve ser sacrário de virtudes, o lar que a mãe habita, e quantas vezes uma boa mãe, apenas fraca e pouco esclarecida nas verdades da Fé ou pouco atenta ao cumprimento delas.
Finalmente, aos filhos criados num lar sólido e sério, acompanhados pela mãe, instruídos na doutrina cristã, pode ainda faltar alguma coisa que os ajude a resistir à corrente, que os salve da crise em que a sua geração soçobra. Essa alguma coisa é o hábito do trabalho pessoal, do esforço próprio, da construção atenta e laboriosa de uma pequena obra sua. Interessar os jovens, desde muito cedo, nas maravilhas da criação, na multiplicidade da vida, na própria riqueza de possibilidades criadoras que trazem em si. Estimular-lhes o gosto pela leitura, pelas artes, pela jardinagem, pelos lavores de agulha, pela administração da casa, pelo teatro (que eles próprios podem representar), pelo desporto como prática e não como espectáculo. Desviá-los dos

(Continua)

O Problema da Educação (40)

Reflexões sobre o papel da mãe no mundo moderno, por Ester de Lemos - 1960

Estas palavras foram lidas pela primeira vez, a convite da Organização das Mães pela Educação Nacional (O. M. E. N.), durante as comemorações da semana da mãe, em 13 de Dezembro de 1959, no salão de festas do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.
E repetidas, a convite da M. P. F., no Teatro do Palácio Foz, em 10 de Fevereiro de 1960.

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A Santos

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Música de fundo: "PILGRIM'S CHORUS", from "TANNHÄUSER OPERA", Author RICHARD WAGNER
«Salazar - O Obreiro da Pátria» - Marca Nacional (registada) nº 484579
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