19 de novembro de 2017   


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(Continuação)

«À volta todos concordam. João de Carvalho declara que é preciso embargar a passagem, dê por onde der, ao comandante da 3.ª Divisão. Propõe que se tomem as barreiras para que ele se não escape. O general sanciona o alvitre. E logo ali se escolhem e se fixam os nomes dos oficiais que seguirão, imediatamente, com algumas patrulhas a vedar as portas da cidade.
«Mendes Norton quer então saber quais as disposições de Gomes da Costa. Este resume os resultados da conferência do Colégio da Boa Vista e acrescenta com decisão:
«— A minha ideia é marchar amanhã, o mais depressa possível sobre o Porto. Caímos sobre ele. Ou adere, ou tem de render-se à força! Não é essa a opinião dos senhores?
«Um coro unânime sai de todos os oficiais, vibrantes de entusiasmo e sôfregos de combate:
«— Absolutamente, meu general!
«Urge nesse caso que alguém vá a Santo Tirso. É lá que se encontra aquartelada a companhia de Caminhos de Ferro. Comanda-a o capitão Bacelar que é o mais antigo, ardente e tenaz dos conspiradores em todo o Norte do País.
«Tomás Fragoso, já então presente à reunião, oferece-se num rompante de amigo:
«— Vou eu próprio avisar o Bacelar. Arranjo uma camioneta e daqui a nada trago-o a ele e a toda a companhia. Isso é que vai ser um alegrão que ele vai ter quando eu lhe disser que já cá temos o nosso general!
«Começa a distribuição de serviços. Fica assente que o capitão Fragoso irá a Santo Tirso.
«— Quem segue para Viana? É o Flores?
«— Eu e o tenente Alberto Branco!
«— Isso mesmo. Eram os que estavam indicados. Já têm o automóvel preparado?
«— Já. Vamos a Viana, passamos em Barcelos e depois iremos à Póvoa.
«— Bom. E quem toma conta da «gare»? É o tenente Nicolau da Fonseca, não é, ó Gonçalves Dias?
«— Sim, senhor. Já está prevenido e já tem o pelotão escalado.
«— Para os Correios é você, Daniel Braga?
«— Justamente!
«O general e eu ouvimos deslumbrados. São tão diferentes, estes homens, daqueles com quem vivemos, durante anos, indecisos, viscosos, escorregadios como alforrecas. Diante destes não há um reparo a fazer. Todas as suas palavras inspiram confiança. E vê-se que toda a máquina já está montada, pronta a entrar em movimento.
«Aborda-se agora um dos aspectos da revolução. Braga encontra-se cheia de peregrinos vindos de todos os recantos do País. Há milhares de forasteiros, centenas de padres, os bispos todos e o próprio Núncio. Os hotéis e casas particulares regorgitam de gente. Procissões solenes — formam todo um programa de cerimónias e de festas que começou a ter execução naquele dia e que se alongará por aí fora até segunda ou terça-feira. É o Congresso Mariano, celebrado desta vez com uma pompa sumptuosa e uma afluência nunca vista. Prejudicá-lo seria odioso. E não irá o Movimento produzir o pânico e a debandada naquela multidão pacata e fervorosa que se acumula na cidade dos arcebispos?
«O general afirma os seus propósitos de não suspender nem alterar as manifestações projectadas para os dias seguintes. E quer que se faça constar ao Arcebispo da diocese que o Congresso nada sofrerá com a revolução. Ninguém lhe porá embargos. A ordem será mantida com todo o rigor.
«Os oficiais indicam o capitão Frazão para o desempenho dessa embaixada que deve ser grata ao seu espírito de católico praticante. Ele aceita. Falará ao Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos, e falará ao próprio Monsenhor Nicotra. Há-de pedir-lhes que tranquilizem os fiéis e lhes assegurem que as suas crenças e as suas festas serão respeitadas a todo o transe. (*)
_________________

*A propósito deste aspecto da «Arrancada» de Braga: a sua coincidência com a realização do Congresso Mariano escreveu o Santo padre Dr. Francisco Cruz um enternecedor artigo que foi publicado na «Voz da Verdade» de 4 de Julho de 1948 e que, por pouco conhecido, aqui queremos arquivar. — É assim redigido:

VINTE E OITO DE MAIO

Graças a Deus tive a consolação de assistir ao Congresso Mariano que se realizou em Braga, em honra de Nossa Senhora e que terminou no abençoado dia 28 de Maio de 1926. No dia seguinte celebrei a Santa Missa na igreja paroquial de S. Vicente, pedindo aos fieis que agradecêssemos a sua visível protecção, alcançando-nos da Infinita Bondade de Deus a vitória que acabava de obter o Marechal Gomes da Costa e seus companheiros e oficiais.
Disse então aos fieis que devíamos agradecer ferverosamente, pois se esta vitória não fosse alcançada como foi, iriam contra Braga,

(Continua)

Documentos Históricos (13)

A arrancada de 28 de Maio de 1926, por Óscar Paxeco – 1956.
Elementos para a história da sua preparação e eclosão.

O primeiro contacto com Braga — o berço da Revolução (III de V).

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